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Jogos violentos criam certas habilidades em praticantes

NOVA YORK - Videogames violentos podem melhorar as habilidades visuais e os tempos de reação usados em atividades como dirigir, segundo uma nova pesquisa feita nos Estados Unidos. Pessoas que brincam regularmente com jogos de ação de computador processam informações visuais mais rápido e com mais precisão que aquelas que não jogam. As conclusões sugerem que os jogos, criticados por entorpecer a mente dos jogadores compulsivos, podem ter efeitos positivos e ser úteis para o ensino e o desenvolvimento de habilidades.

Os jogos poderiam ser usados para corrigir maus motoristas, reabilitar pacientes que sofreram derrame e treinar soldados para o combate, segundo especialistas da Universidade de Rochester, em Nova York.

Eles iniciaram a pesquisa depois que Daphne Bavelier, professora de ciências do cérebro, notou que um de seus alunos, Shawn Green, marcou pontos altos numa nova série de testes visuais que ela desenvolvia.

Quando Green lhe contou que era um ávido jogador de videogame, a professora decidiu conferir se a ação rápida que se desenrola na tela do computador pode treinar o cérebro para responder com mais eficiência a estímulos particulares.

Aficionados por jogos de ação - todos homens, pois apenas uma jogadora fanática foi encontrada no campus da universidade - passaram por três testes de prontidão visual e foram comparados a um grupo de não-jogadores.

Em todos os testes, que mediram a capacidade das pessoas de seguir vários objetos movendo-se ao mesmo tempo, contar objetos que aparecem brevemente e escolher e recordar informações visuais em movimento, os jogadores
se saíram melhor. "Eles podem processar informações visuais mais rapidamente e seguir 30% de objetos a mais que os não-jogadores", disse Bavelier.

"Vários jogadores chegaram a obter a pontuação máxima em testes muito difíceis para os não-jogadores", explicou.

Para garantir que os resultados não mostrassem simplesmente que as pessoas com boas habilidades visuais são mais
propensas a jogar games de ação, a equipe criou um teste para conferir se os jogos poderiam melhorar as habilidades a partir do zero.

Um grupo de não-jogadores de ambos os sexos foi dividido em dois, com uma parte no jogo de ação Medal of Honor por pelo menos uma hora por dia e a outra jogando Tetris, que envolve a montagem de peças.

Depois de duas semanas de treinamento, o grupo do jogo de ação saiu-se bem melhor em todos os testes visuais.

Diferença - O estudante de engenharia Augusto Rossi Nemeth, de 25 anos, joga videogames desde os 10 e diz que isso faz diferença. "Tenho uma atenção muito maior nos campos fora de foco, coisa que as outras pessoas não têm", afirma.

Para Nemeth, isso ocorre pela rapidez com que a ação se desenvolve nos games. "Você percebeu alguma coisa e tem de agir. Você processa rápido a informação, interpreta e já dá a resposta."

A estudante Fernanda Levy, de 18 anos, joga Counter-Strike, um dos jogos utilizados na pesquisa americana, há dez meses e diz que já sentiu uma diferença na capacidade de se concentrar em sala de aula. "Conversas paralelas
me atrapalhavam. Agora consigo me concentrar".

Para o neurologista Mauro Muszkat, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp, os games estão criando respostas mais rápidas e novos modos de comportamento. "Mas há um nível de atenção muito pouco seletivo", ressalva.

"Há maior competência em lidar com reflexos." No entanto, segundo ele, as crianças estão mais impacientes. (Com Angélica Freitas)