Faça uma experiência: vá até uma loja de jogos para computador e tente pegar uma caixa ao acaso. Existe uma possibilidade bem grande que você pesque um jogo de estratégia em tempo real. E a esmagadora maioria desses seguem a mesma fórmula de Dune II, um dos pioneiros do estilo. Claro, de vez em quando aparece um Total Annihilation que tenta quebrar os paradigmas, mas esses games são raros. E Battle Realms é um deles.

Ao invés de complicar a questão dos recursos ainda mais, a Liquid optou por simplificar as coisas: só existem dois recursos - água e arroz - e a única unidade criada são camponeses (Peasants). Cada um deles deve ser treinado em estruturas específicas para serem transformados em lutadores, magos, curandeiros e outras classes. Quanto mais pessoas seu clã tem, menos camponeses são criados com o passar do tempo.

Isso muda de maneira bastante radical o conceito de 'sugar recursos e criar exércitos gigantes para ataques rápidos', virando de cabeça para baixo a maioria das estratégias comumente usadas no games desse estilo. E em um gênero repetitivo como esse, a mudança é bem-vinda. Além disso, o jogo coloca um medidor Yin-Yang que gerencia o seu alinhamento, permitindo certos poderes especiais.

O jogo tenta também aumentar sua interatividade e caprichar no enredo com um truque bastante interessante: ao invés de colocar opções como qual clã você quer ou o que pretende atacar em um menu sem vida, Battle Realms cria pequenas situações onde suas escolhas influenciam o rumo da história.

O visual do jogo tem seus altos e baixos: enquanto os menus e a direção de arte são excelentes, o visual 3D das unidades é um pouco pobre - algo que fica evidente nas seqüências de história onde a câmera chega bem perto dos bonecos. No geral, a escolha parece funcionar bem, apesar dos problemas.